Ressuscita-me
Eu amo novelas. Desde que me conheço por gente, ou até antes disso, quando ficava espiando o professor Astromar por entre as frestas do cobertor.
Talvez seja destino, não sei. Quiçá, tem algo a ver com o fato do meu nome ter sido dado em homenagem a uma personagem de novela, na longínqua década de 70/80 quando Elizabeth Savala era uma bailarina gatinha (sem bulimia) e arrastava asinha pro Fábio Jr.
O fato é que, durante toda minha vida de peixa, ver novelas sempre foi natural, mandatário. Por isso, roubei a senha do amigo no globomediacenter pra acompanhar as sempre saltitantes novelas das seis depois do expediente; ou deixava de sair na hora pra ver o capítulo da novela-das-oito.
O que me intriga é que em anos, incontáveis, essa é a primeira vez que eu não só não assisto a novela nenhuma – nem das seis, nem das sete, que dirá a chatice didática das oito – como não tenho interesse em vê-las. São tantos fantasmas, tantas doenças deprimentes e tantas vezes o Marcos Pasquim sem camisa (dizendo que “tem conteúdo na capa da revista) que o que era bom virou chato; o que era interessante virou sem graça; o que era bem feito virou comezinho.
O que acontece? Esgotamento da fórmula? Coincidência ruim? Atores bons envelhecendo e ficando com permanente cara de poodle? Atores novos piores que os atores velhos com cara de poodle? Novelistas cansados? Mensalão? Não sei. Ainda estou à cata de uma resposta. E procurando dar tempo ao tempo, esperando pra ver quais serão os futuros paraísos tropicais da vênus platinada.
E, enquanto isso, aplaudindo aquela turma de bispos que, de boba, não tem nada, e que copiou a número um no que a número um tinha de melhor no auge: a ousadia com qualidade. Vidas Opostas é uma novela legal. Não excelente, ainda, mas legal.
Enquanto não encontro respostas, faço um pedido: no meio de tantos fantasmas, por favor, ressuscitem o senhor de Montserrat, para o bem desta noveleira que vos escreve.
postado por Wanda às 21:38
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